O Xavante, na noite da última quarta-feira (23), deu mais um PASSO FUNDO na série A2. Foi derrotado no estádio Vermelhão da Serra, por 2 a 1, com dois gols de Sandro Sotilli – triste isso, cara.
O fato de a partida ser a estreia de Rogério Zimermmann no comando do Brasil nesta série A2 não mudou a triste sequência de derrotas. O time de Pelotas foi a Passo Fundo buscando a reabilitação e o primeiro ponto na segunda fase, mas nada trouxe. Nos primeiros 15 minutos, o jogo estava equilibrando e passou a (falsa) sensação ao torcedor de que a vitória viria. Que nada!
Sandro Sotilli – que sempre é tratado com muito carinho no time da Avenida Bento Gonçalves – marcou o primeiro do time da casa, após cruzamento. O Passo Fundo marcara o primeiro gol aos 41 minutos do primeiro tempo. Na segunda etapa, pouca coisa mudou. E aos três minutos, Galego derruba Diego Miranda na área e o juiz marca pênalti em favor dos donos da casa. Sotilli foi para cobrança e… mandou às nuvens!
O erro na cobrança animou o time do Brasil. Os Xavantes começaram a levar perigo ao adversário. Depois de uma série de bons ataques, o zagueiro André Ribeiro subiu mais que todo mundo, após falta cobrada, e cabeceou ao fundo da rede. 1 a 1.
Em casa, na rua ou no carro, o torcedor rubro-negro que acompanhava o time do coração renovou as esperanças. Seria a primeira vitória na segunda fase! Estaríamos mais vivos do que nunca! Como pegadinha, o Passo Fundo encarnou o espírito troll e marcou o segundo. Numa cobrança de falta, a bola desviou na zaga Xavante e sobrou para Sotilli empurrar a PELOTA para o fundo do gol.
Depois, para tornar a situação ainda mais triste, Rodrigo Dias fez falta totalmente desnecessária e, como já possuía o amarelo, recebeu o vermelho. O time do Brasil até tentou algumas vezes, mas pouco conseguiu. Vitória do time de Passo Fundo por 2 a 1.
O Xavante é o LANTERNA da chave 3, na sexta colocação, com nenhum ponto ganho. O próximo compromisso será em Rio Grande frente a um São Paulo MORDIDO pelos cinco que levou em suas dependências no último confronto. A partida ocorre quarta-feira (30) no Aldo Dapuzzo. Que Deus seja Xavante e nos ajude!
FICHA
Passo Fundo: Souza; Barão, Vagner, Gláuber e Diego Koning; Marcos, Gil (Danilo), Diego Miranda e Da Silva (Fininho); Guto (Sertãozinho) e Sandro Sotilli. Técnico: Ricardo Atolini.
Brasil: Luiz Muller; Tiago Rannow, André Ribeiro, Uillian Nicoletti (Willian Koslowsky) e Galego, Leandro Leite, Rodrigo Dias, Alexandre (Wender) e Alex Goiano; Gavião e Alex Amado. Técnico: Rogério Zimermmann.
Gols: Sandro Sotilli (2x) (Passo Fundo) e André Ribeiro (Brasil).
Cartões Amarelos: Guto, Souza, Vagner, Barão e Gil (Passo Fundo); Rodrigo Dias, André Ribeiro, Leandro Leite e Wender (Brasil).
Cartão Vermelho: Rodrigo Dias (Brasil).
Arbitragem: André Cieslak, auxiliado por José Eduardo Calza e Alduíno Mocelin.
CANCHEIROS, visto as últimas notícias (pouco formuladas, erradas ou com algumas intenções) acerca do Brasil e a (não oficial) suspensão vinda da Fifa, escrevo este post para esclarecer o máximo possível.
Voltando no tempo
O Brasil venceu o Santo André, em São Paulo, por 3 a 2, numa partida válida pela primeira rodada da série C de 2011. O lateral Claudio jogou. Porém, tempos mais tarde, o Brasil foi punido com a perda de seis pontos pela escalação irregular do jogador, pois ele havia sido expulso na última rodada da Série C de 2010, quando atuava pelo Ituiutaba-MG, atual Boa Esporte. O Brasil foi absolvido pela 4ª Comissão de Disciplina do STJD por 4 votos a 1. A Comissão acolheu os argumentos do clube gaúcho no sentido de que não teve qualquer culpa no caso. Foram apresentados os documentos de transferência do jogador enviados pela Federação Mineira onde não consta qualquer punição pendente. Também foi apresentado documento da Federação Gaúcha informando que na transferência não havia sido informada qualquer punição ao atleta. Por fim, ainda exibiu a ficha de entrada do jogador no clube com sua declaração de que não possuía qualquer punição a cumprir. Porém, houve o julgamento de um recurso contra o Brasil e o mesmo foi considerado culpado. A partir daí, a luta começou.
Quer mais detalhes sobre o relato acima? Leia um texto muito bem escrito pelo torcedor Bruno Sacramento clicando AQUI.
Xavante ingressa na Justiça Comum!
Depois de uma reunião com conselheiros e sócios do Grêmio Esportivo Brasil, o Xavante decide ingressar na Justiça Comum com o desejo de reaver a vaga. A Constituição permite o ingresso de um clube de futebol na Justiça Comum após esgotarem todas as instâncias desportivas. A seguir, a nota oficial publicada no site do G.E. Brasil:
Na noite desta quinta-feira, em Assembleia Geral realizada no Salão de Honras do estádio Bento Freitas, a Diretoria Executiva do GE Brasil decidiu acatar a vontade dos torcedores, sócios e conselheiros do clube, em ingressar na justiça comum referente ao processo que decretou a perda de 6 pontos e, consequentemente, o rebaixamento na Série C do Campeonato Brasileiro 2011. Depois de ouvidas todas as opiniões dos presentes na reunião, foi decidido através de votação a continuação da instituição no referido processo.
Num primeiro momento, a juíza não deu vitória ao Brasil, pois precisaria de mais documentos – não é a denominação correta, mas sou apenas um mortal. Mas a juíza assegurou ao clube gaúcho a liminar que o protege de qualquer desfiliação, visto que agiu de acordo com a Constituição. O Brasil entrou com um agravo de instrumento e venceu! Veja a nota oficial, clicando AQUI, e a decisão do desembargador Aquino, clicando AQUI. O trecho a seguir é da mesma decisão do desembargador.
Em suma, não há como deixar de considerar, diante do conjunto de elementos narrados: a) que o clube recorrente estaria mesmo de boa-fé quando da utilização do atleta na partida de estreia da Série C do Campeonato Brasileiro de 2011. E, naquilo em que lhe foi possível efetuar busca de informações, obteve apenas respostas evasivas, de que não haveria restrição sobre punições disciplinares ao jogador; b) a evidente ilegalidade cometida pelas entidades agravadas, que, ao arrepio de princípios constitucionais, ultimaram por penalizar o clube agravante com perda de pontos e consequente rebaixamento de divisão no futebol nacional.
Na decisão, a CBF é obrigada a colocar o Xavante na série C 2012. O não cumprimento disso resulta num multa diária de cem mil reais.
O decorrer dos fatos, assim como uma rápida recapitulada nisso tudo, deixo para o ex-presidente do Grêmio Esportivo Brasil, André Branco de Araújo, que faz parte do Departamento Jurídico do clube. A entrevista foi concedida à Rádio Universidade. São 18 minutos, mas diz tudo! Do início até o momento atual.
Clique AQUI, seja redirecionado ao Blog Xavante e escute na íntegra a entrevista.
Espero que, com isso, a maioria dos jornalistas e torcedores deste país entenda que é preciso olhar os dois lados ao invés de sair vomitando o que “parece” ser. O que parece nem sempre é verdade.
Todos sucumbirão! E a justiça será feita.
“Mostremos valor e constância Nesta ímpia e injusta guerra Sirvam nossas façanhas De modelo a toda terra”,
“PARA TUDO! Olha outra liminar vindo ali…” (fonte: www.juventude.com.br)
Dando sequência ao acompanhamento do Juventude após o final do COSTELÃO 2012, vamos ao que ocorreu no Jaconi após o último post.
O ritmo do departamento de recursos humanos do clube da Hércules Galló segue FRENÉTICO. O zagueiro Evaldo e o lateral-esquerdo Gleidson, anunciados em conjunto na (então) última leva, nem chegaram a sujar o uniforme de treinamento. O primeiro, cuja lesão muscular com a qual chegou era mais grave do que se imaginava, foi liberado antes de assinar contrato. O segundo, com proposta do CBR/AL para disputar a série B, também se mandou.
Outro que NÃO AGUENTOU O ROJÃO foi o decadente Elder Granja. Achando que seria titular apenas no nome, ainda mais estando num clube hoje na quarta divisão nacional, espinafrou a torcida num amistoso em Flores da Cunha contra o Cerâmica (vencido por 2 a 1). Solicitado pela TURMA DO AMENDOIM que se “esforçasse um pouco mais” em campo, resolveu mandar os torcedores a alguns locais pouco aprazíveis e, como num passe de mágica, no dia seguinte comunicou à direção que estava com “problemas particulares” e “sem condições de se concentrar nos objetivos do clube”.
Papo trouxe a caipirada de balaio dessa vez (fonte: www.juventude.com.br)
Nota-se que a quantidade de jogadores do São Bernardo, assim como se outros times do interior paulista são uma clara mostra de que o Ju tenta, através disso, superar a óbvia falta de entrosamento da equipe com a chegada de 15 atletas para o grupo principal, nessa remontagem do elenco promovida para a série D.
Entretanto, o fato novo que foi a suspensão do início das séries C e D em função das RONHAS JUDICIAIS envolvendo ambas as séries divide opiniões. A palavra oficial do presidente do clube é no sentido de que essa indefinição é um problema, pois os outros clubes também terão mais tempo de treino e os parceiros perdem visibilidade sem jogos. Sem dúvida é um argumento real e válido. Afinal, como Raimundo Demore disse hoje na Rádio Caxias, “ou o Juventude volta rapidinho para a série B ou terá sérios problemas de continuidade”. Pra bom entendedor…
Porém, como torcedor e PRETENSO ANALISTA, me parece bem claro que, ao menos na parte técnica, essa parada é bastante benéfica ao Juventude. Pelos relatos que se têm dos treinamentos e jogos-treino (ontem o Ju perdeu para o Esportivo por 2 a 0…), o UPGRADE de qualidade individual é nítido, assim como a falta de entrosamento já falada. E, em se tratando de torneio tiro curto, caso da série D, a única chance que um clube tem de pensar em subir é ter um mínimo de padrão de jogo.
Nota-se que foi um jogo-treino, e não um AMISTOSO (fonte: Pioneiro)
Enfim, agora é aguardar até onde esse rolo vai. Acho que dificilmente os clubes que promoveram essa novela (Brasil de Pelotas e Treze/PB) vão escapar ilesos de alguma punição via FIFA. Assim como não acredito em acordos de inclusão dessas equipes diretamente na série C em 2013 ou 2014, como foi comentado.
É isso mesmo, viventes. Na semana que se passou, o Lajeadense renovou a parceria com a cidade de Pedro Leopoldo-MG para disputar a competição de juniores mais importante do país depois da Copa SP, a Taça BH, assim como já o tinha feito em 2011, sob o nome de ‘Associação Esportiva Pedro Leopoldo’. O acordo foi firmado unicamente na CONFIANÇA entre o governo da cidade mineira, cujo secretário de esportes é ninguém menos do que Dirceu Lopes, ex-jogador da Seleção Brasileira, e a direção do Alviazul, e intermediado pelo empresário Ricardo Mello, parceiro do clube.
Em 2011, a treta foi a seguinte: Pedro Leopoldo é cidade-sede da primira fase da Taça BH, mas não tinha um MÍSERO clube pra colocar em campo. A solução então foi a parceria com o Lajeadense, que levou todo seu elenco de juniores e comissão técnica pra Minas Gerais, onde se juntaram com meia dúzia de jogadores locais e foram à luta. O resultado não podia ser melhor. Na primeira fase, o Alviazul-fake despachou São Paulo e Flamengo, e nas oitavas-de-final venceu o Guarani de forma ÉPICA nos penaltis. Nas quartas, porém, o time foi eliminado pelo Atlético Paranaense, mas nada que tirasse o brilhantismo da campanha, muito acima das expectativas.
Pedro Leopoldo/Lajeadense em 2011
A partir disso, a renovação da parceria pra 2012 já era esperada, e se concretizou nos últimos dias. Agora, entretanto, Pedro Leopoldo, embalada pela campanha do ano passado, já começa a dar seus próprios passos no futebol de base, e com isso não teremos mais um time praticamente inteiro formado por lajeadenses. Mesmo assim, o elenco do Alviazul, que está na disputa da segunda fase do Gauchão, passará por MESES de preparação, evoluindo da preparação em 2011, quando foi feita uma curta pré-temporada em Colinas. Após terminar a participação do clube no estadual, todo o elenco, reforçado por novas peneiras que estão sendo realizadas nessa semana em Lajeado, viajará para Pedro Leopoldo, aonde serão escolhidos os integrantes do elenco final em conjunto com os jogadores de times e projetos locais. O técnico continuará sendo Nico Dall’agnol, do Lajeadense, assim como em 2011.
Neste ano, o torneio vai de 18 de julho a 5 de agosto, restando ainda muito tempo para o elenco do clube, que não faz uma grande segunda fase do Gauchão, se preparar bem para CHOCAR o país novamente. Daquele elenco, há hoje jogadores em Fluminense, Cruzeiro, Grêmio, e o zagueiro Laércio, que passou um ano no Helsingborg da Suécia antes de retornar a Lajeado, que deverão render dividendos ao Lajeadense no futuro. Aguardemos para ver.
______________
Por outro lado, a disputa do Gauchão do Juniores e a logística da Taça BH, aliados ao início ainda extremamente distante da Copa Hélio Dourado, tem tirado um pouco o foco do Lajeadense no elenco profissional. Depois de, segundo a imprensa, ter estado perto de anunciar Picoli, que visitou o clube para conhecer as instalações, o ex-juventudista fica cada vez mais longe de Lajeado. Aparentemente, o problema é financeiro, pois o clube pretenderia pagar um salário X durante a disputa da Copa, que depois seria aumentado durante o Gauchão 2013. Motivo que seja, o fato é que Picoli já nem é mais citado pela imprensa lajeadense, e sua contratação agora seria uma grande surpresa.
Outro nome cotado, o preferido dos torcedores, ídolo do Lajeadense e morador da cidade, Gélson VILA FÃO Conte, cansou de esperar e assinou com o Aimoré por um ano, e deu entrevista à Rádio Independente demonstrando certa mágoa com o fato de sempre ser levantada a dúvida em Lajeado sobre ele estar ou não pronto para assumir o seu clube de toda a vida (o que já fez na metade da década de 2000 sem grande sucesso, mas eram outros tempos). Enquanto isso, seguimos sem comandante, mas nada que seja desesperador, já que a FGF nos brinda com quase 4549054 meses sem futebol.
Quanto ao elenco profissional, Fernando (Juventude), Micael (Caxias), Jandson (Brasiliense) e Gabriel (Rio Branco-AC) foram emprestados para as disputas das Séries C e D, mantendo vínculo com o clube. Rudiero, Bruninho e Celsinho devem seguir o mesmo caminho, mas ainda não acertaram com nenhum outro clube. Nenhuma contratação foi feita ainda para o segundo semestre.
Para uma parcela dos santa-marienses, maio não está no calendário apenas para marcar a passagem do Dia das Mães ou acentuar o furor das noivas na região central. O Riograndense Futebol Clube nasceu em 7 de maio de 1912, ao lado da Viação Férrea da cidade. Quase todos já ouviram o célebre e triste bordão do regime militar: “onde a Arena vai mal, põe um time no campeonato nacional. Onde a Arena vai bem, põe um time também”. Com intenções devidamente reelaboradas e representando um período de interiorização nacional, podemos arriscar “a cada metro de ferrovia, era um clube que surgia”. Em Santa Maria da Boca do Monte, o advento das estradas de ferro trouxe consigo a máquina ferroviária esmeraldina.
Com o passar do tempo os trilhos enferrujaram e os caminhos de ferro foram substituídos pela insana malha rodoviária, largamente propagandeada por Juscelino Kubitschek e seu plano de metas. Os novos rumos do transporte nacional abalaram profundamente a base social que compunha o RFC, mas a alcunha de Periquito não era fruto do acaso e o Riograndense agonizou, tratou das feridas, tomou fôlego e voltou a voar.
Estamos no mês do centenário esmeraldino e nada melhor que um embate contra o Inter-SM, no clássico citadino RIO-NAL, para começar a contar cem anos de história. Disso trata o vídeo Uma Tarde nos Eucaliptos. O Clássico do Centenário Periquito, dirigido por Amarello Rodrigues e Maurício Canterle. A Produção está inscrita no Concurso CINEfoot Centenário 2012, na categoria vídeos em homenagem aos clubes que completam 100 anos em 2012.
Também vale a pena rever o já publicado Um time para poucos, vídeo institucional do América Futebol Clube, outro centenário deste ano.
Por fim, nosso sincero e entusiasmado agradecimento ao @Caio_de_Santi por compartilhar o link do filme.
Foi inaugurado em 23 maio de 1943. Desde então, o XAVANTE manda seus jogos no estádio Bento COLOSSO Freitas. Vitórias memoráveis, derrotas sufocantes e muita, mas muita festa!
“VAMU INVADI!”
Estádio Bento Freitas. Foto: Pedro Henrique C. Krüger.
BENTO FREITAS
O nome do estádio é uma homenagem ao presidente do Grêmio Esportivo Brasil, Bento Mendes de Freitas, pois ele foi um dos maiores responsáveis pela construção da casa Xavante. A decisão foi tomada pelo conselho do G.E.B., por unanimidade, em 10 de maio de 1956.
PELA TORCIDA. À TORCIDA.
Bento Mendes de Freitas, além de inúmeras pessoas que o apoiavam, deu início à construção do estádio. Anos mais tarde, em 1978, o Brasil precisou ampliar o estádio para jogar o campeonato brasileiro. E quem faria isso? A torcida, é claro.
Pedra fundamental – Bento Freitas. Foto: Colecionador Xavante.
Todos sabem que o Brasil, de Pelotas, apenas tem a força que tem em razão de sua fanática torcida – falange que, para o padrão futebolístico moderno, não deveria existir, pois o clube não conquista títulos e é do interior, enfim. E essa força, que vem das arquibancadas, construiu as próprias arquibancadas, além do estádio, do gramado, da tela… O estádio Xavante é o resultado do trabalho, fanatismo e paixão de advogados, garis, professores, pedreiros, estudantes, doutores… Xavantes!
Bento Mendes de Freitas conquistou o terreno e deu início às obras. Em 78, a ampliação do estádio feita pela massa. Atualmente, a associação Cresce, Xavante! – grupo de torcedores que trabalha para o crescimento rubro-negro – trocou a tela e deu vida à drenagem do gramado da Baixada – gramado este que foi trocado em 2004… também pela torcida.
Placar Edição 385 – 16/09/1977. Foto: Colecionador Xavante.
Não é o mais novo estádio do mundo tampouco o mais moderno, mas carrega uma mística especial, vinda do povo. A Baixada é a minha segunda casa, mas às vezes penso que, na verdade, é a única casa que realmente tenho. Pois sei que foi feita por mim, porque sou também um torcedor Xavante.
“Se pudesse e não parecesse um incômodo ou impertinência, estaria no Bento Freitas esta tarde. Foi lá que tive as mais profundas experiências de um estádio de futebol. Já os vi de todos os tamanhos e os senti. Wembley é o mais solene, grandeza como a do Maracanã não há outra; em Turim cravaram no meu coração o Delle Alpi de Maradona e Caniggia; o Sarriá ainda dói, e o estádio do Everton, em Liverpool, será sempre a minha maior vergonha. Mas o Bento Freitas é uma experiência de elevação, dor e alegria, de superação dos indivíduos convertidos numa massa se movendo para cima e para baixo, para os lados, ao som dos trompetes e dos tambores, com todos os gestos, como na noite do jogo contra o Flamengo, ou tantas outras, bem menos glamurosas, mas de febre alta e tensão de pele. É isso, não há estádio mais humano!”
(Ruy Carlos Ostermann)
FAÇANHAS VISTAS NA BAIXADA
Foram muitas, mas, para mim, estas são as mais arrepiantes.
- O seletivo de 1977
A cidade de Pelotas ganhou uma vaga para a disputa do campeonato brasileiro de 1977. Ficaria com a vaga o clube que conseguisse um estádio para 25 mil pessoas, mas a decisão foi feita num seletivo. “O melhor de quatro pontos”. O primeiro Bra-Pel foi no Bento Freitas e o E.C. Pelotas venceu por 1 a 0. O segundo clássico foi na Boca do Lobo e a vitória foi rubro-negra, também por 1 a 0.
A última partida foi no Bento Freitas. O Brasil chegou ao gol que deu direito à vaga com Tadeu Silva. Aos 43 minutos do segundo tempo, o E.C. Pelotas teve um pênalti. Caso fizesse, conquistaria o direito de disputar o brasileiro. Foi para a cobrança Torino, jogador “criado” na base Xavante. Ele chutou a bola para fora – uns dizem que ele errou, algo normal; outros afirmar que o seu coração rubro-negro se manifestou. Fico com a segunda opção.
- As vitórias sobre o poderoso Flamengo
Na década de 80, o rubro-negro do Rio de Janeiro possuía um elenco invejável, mas nem todas as suas estrelas foram suficientes para evitar as vinte mil vozes que gritavam sem parar num estádio localizado no sul do sul do Brasil.
G.E. Brasil 1 x 0 C.R. Flamengo (Campeonato brasileiro 1984)
<center></center>
G.E. Brasil 2 x 0 C.R. Flamengo (Campeonato brasileiro 1985)
<center></center>
<center></center>
- G.E. Brasil 3 x 1 Marcílio Dias-SC (Série C 2008)
Muitos devem estar pensando “por que esse jogo é importante?”. Talvez não seja lembrado dessa forma pela maioria dos Xavantes, mas, para mim, foi um dos maiores jogos que vi. Não pelo futebol – com toda aquela chuva nem teve direito –, mas por tudo o que ocorreu. Marcou para mim. São partidas “simples” que representam tudo. E nunca uma televisão me fará sentir todo aquele frio enquanto recebia toda aquela água que parecia infinita. Jogo lindo. Uma partida vencida na raça. Vencida à la Xavante.
<center></center>
Detalhe: aos 0:41 do vídeo acima, os dois que estão com capa de chuva VERDE são eu e meu pai. haha
O ESTÁDIO QUE VELOU OS SEUS ÍDOLOS
Foi um dos piores dias de minha vida. Após o acidente com o ônibus Xavante, em Canguçu, houve o velório dos três mortos na tragédia. Foi feito na Baixada. Algo que nunca esquecerei. Arrepia-me lembrar dos gritos de “Milar, Milar”, “Régis, Régis” e “Giovani, Giovani”.
Foto: Agência/Agencia Estado
Seis gazebos brancos são tudo o que não se espera ver no meio de um campo de futebol, ainda mais se sob eles estiverem esquifes, coroas de flores e gente chorando. A imagem causa comoção por si, mas toma uma intensidade desmedida se esse estádio for o Bento Freitas, os chorosos forem os Xavantes, um dos corpos presentes for o de um ídolo do presente, e outros dois crias da casa, gente que neste campo cresceu, jogou, e agora se despede da vida.
(Trecho retirado do livro “A noite que não acabou”, escrito pelos jornalistas Nauro Jr. e Eduardo Cecconi. Página 151. Editora Livraria Mundial, 2009)
CLAUDIO MILAR
Não há como falar de estádio Bento Freitas sem falar de Claudio Milar. O que ele fez nesta terra está marcado e enraizado na Baixada. A torcida Xavante tem um verdadeiro ídolo, algo que poucos clubes podem se vangloriar.
Imagem e boneco de Claudio Milar na gruta que existe no Bento Freitas. Nunca esquecido pelos rubro-negros. Foto: Pedro Henrique C. Krüger.
Em suas partidas e cortes nas laterais das áreas adversárias, Milar conquistou a massa Xavante. Com os seus gols e flechadas, deixou na memória de todo rubro-negro o seu amor pelo clube da Baixada. Nunca nos esqueceremos do castelhano.
<center></center>
FOTOS DO BENTO FREITAS (feitas por Pedro Henrique C. Krüger
Atualmente o estádio Xavante ocupa uma extensão de 29.730m², sendo que 23.254m² é de área construída, incluindo 4 bilheterias, 7 portões de acesso, 6 lanchonetes, 17 banheiros e 13 cabines de imprensa. Para os atletas profissionais são 3 vestiários, sala de musculação, sala do Depto Médico, refeitório e alojamento com 10 dormitórios, sala de áudio e vídeo e de lazer. Além disso, a casa do Brasil também abriga todas as dependências dos setores administrativos e executivos do clube, e a sede do Depto Amador rubro-negro, que possui secretaria e vestiários independentes, mais uma cancha de areia e um salão de festas. Sob o pavilhão social, o estádio ainda acomoda o ‘Salão de Honra’. Um espaço decorado com as conquistas Xavantes, que é utilizado para as reuniões do Conselho Deliberativo e para realização de eventos institucionais – informações do site oficial do G.E. Brasil.
Depois de vinte rodadas concluídas, a SER Santo Ângelo conquistou apenas sete pontos fora de seus domínios no Campeonato Gaúcho Divisão de Acesso. O time missioneiro não foge a regra da competição, que demonstra supremacia dos conjuntos locais sobre os visitantes. Pela chave dois da primeira fase, foram nove jogos longe da Zona Sul, com apenas duas vitórias e um empate. A SER só venceu fora de casa os representantes do calcio gaudério Esporte Clube Juventus, no clássico regional disputado em Santa Rosa, e o Esporte Clube Milan, em Júlio de Castilhos. Além disso, no confronto entre as SER’s, o quadro das Missões igualou fora de casa com o time de Panambi.
Confronto equilibrado
Santo Ângelo e Glória estavam na mesma chave na primeira fase, e fizeram jogos bem disputados onde o fator local prevaleceu. Em jogo com cinco gols, na Zona Sul o tricolor missioneiro venceu por três a dois. No returno o time celeste da terra da maça devolveu a derrota, vencendo por um a zero nos Altos da Vacaria.
O jogo
Às 15 horas de ontem a pelota rolou nos campos de cima da serra e a SER predominou nas ações da primeira etapa. A dupla de ataque Sharlei e Éder “El Loco” Machado impuseram dificuldades a defesa do Leão da Serra. Machado acertou a trave, mas o fiscal da lateral ergueu a bandeira pequena denunciando o avanço além da última linha do atacante missioneiro. A partida continuou disputada até o final da primeira etapa e a SER, na maior parte do tempo, controlava o jogo no antiplano gaudério.
A etapa complementar começou e quase tudo mudou. O Leão da Serra voltou melhor e impôs uma terrível correria ao quadro tricolor do noroeste. Mesmo assim o placar permanecia fechado na bonita tarde de sol. Aos 30’, em uma excelente escapada, Sharlei concluiu de cabeça e quase marcou aproveitando assistência de El Loco. O técnico do time local promoveu duas substituições na equipe, saíram Edmar e Chimbica, ingressando no gramado Pito e Cristian. Os homens de fé menor viram a providência do comandante com reserva, na medida em que desmontava a dupla de ataque Chimbica/Jajá. No entanto, aos 35’, Cristian ergueu o caroço na área e Pito anotou de cabeça para o time da casa. A essa altura um ponto brilhava no céu azul dos campos serranos, era a estrela de Marcelo Caranhato.
A SER ignorou o ar rarefeito e prosseguiu em busca da igualdade até trilar o apito final, mas o Glória defendeu com qualidade sua meta ao mesmo tempo em que tentava armar a estocada derradeira. Ao fim de tudo, ninguém mais conseguiu alcançar o gol adversário e o escore permaneceu mínimo em favor do time local.
SER Santo Ângelo perde nos Campos de Cima da Serra. Foto: facebook.com/gloriadevacaria
Hexagonal
A chave quatro ficou mais embolada que briga de gato. Por enquanto, desgarrado apenas o Esportivo com seis pontos. Santo Ângelo aparece na segunda posição com três, seguida por Glória, Guarany-CAM e Farroupilha, todos também com três pontos. A lanterna é do Inter-SM, com zero.
No próximo domingo o quadro missioneiro jogará em Pelotas contra o Farroupilha, às 15h30min. Um bom resultado contra o Fantasma do Fragata é essencial para as pretensões da SER na competição. Por sua vez, no mesmo horário, o Glória joga em Santa Maria contra o desesperado Inter-SM. A partida entre os Diabos Rubros e o Leão da Serra também promete fortes emoções.
Agora complicou. E o tempo fechou na Baixada. Após a derrota por 2 a 0 para o xará Brasil-Far, a torcida, em fúria, protestou perto do vestiário. Deu resultado: técnico Rospide e o preparador físico Cesar Polaco foram demitidos. Além deles, saíram também o diretor de futebol Paulo Cunha e seus vices, Otávio Torres e Marcelo Mennegotto.
O Brasil, de Pelotas, entrou em campo e foi recebido pela massa Xavante. O clima era favorável em razão das últimas vitórias na Justiça Comum. Porém, futebol se faz dentro de campo e quem colocou isso em prática foi o visitante, e xará, Brasil-Far.
Ezquerra, assim como o Xavante, caiu diante do Brasil-Far. Foto: Carlos Insaurriaga.
O Xavante estava sonolento em campo. O desempenho estava tão fraco que “não deu nem para torcer”, segundo o meu pai – sábias palavras. O primeiro tempo foi fraco, com poucos ataques de ambos os lados. Porém, quem estava no Bento Freitas viu um rubro-negro atacar e defender sem vontade, sem aquela raça que antes tanto elogiei aqui no Toda Cancha. Em contrapartida, o time de Farroupilha queria a vitória e foi para cima do time da casa.
Tal atitude e vontade de seus jogadores fez com que o primeiro tento saísse no segundo tempo da partida. Hyantony, com passagens pelo Xavante, abriu o marcador aos 14 minutos, após dar um lindo corte no zagueiro e colocar, rasteirinha, a pelota no canto esquerdo de Luiz Muller. Golaço! Infelizmente, contra o meu Xavante.
Com o gol, a situação piorou e a partida ficou nervosa. Da arquibancada, o grito de apoio transformou-se num grito de indignação. Confusão dentro de campo também. Com todo o clima adverso, misteriosamente o time do Brasil, de Pelotas, deu uma leve melhorada. Atacou mais, foi para cima, mas nada conseguiu.
Para matar a partida, Hyantony – de novo! – recebeu passe dentro da área, mas ao invés de dominar, deu uma espécie de corta-luz para ele mesmo, tirou do zagueiro e mandou ao fundo das redes. Brasil-Far 2 a 0.
Com a derrota, o Brasil, de Pelotas, permanece na lanterna da chave 3, sem nenhum ponto ganho em duas partidas. Além disso, a comissão técnica e os diretores de futebol do Xavante saíram. Quem chega é o técnico Rogério Zimermann e o preparador físico João Francisco Beschorner. A próxima batalha acontece na próxima quarta-feira (23), fora de casa, frente ao Passo Fundo, às 20h no estádio Vermelhão da Serra.
É tudo ou nada.
FICHA:
Brasil-Pel: Luiz Muller; Tiago Rannow, Anderson Bill, Fabiano Eller (Marcelo Oliveira) e Galego; Leandro Leite, Wender, Leandro Ezquerra (Willian Ribeiro) e Alex Goiano (Têti); Alex Amado e Gavião. Técnico: Marcelo Rospide.
Brasil-Far: Willian Lago; Rodrigo Vareta, Everaldo, Ademir e Cris; Tiago Soller, Tiago Renz, Marcos Paraná (Miro Bahia) e Eduardinho (Dudu); Leandro Kível (Tiago Rodrigues) e Hyantoni. Técnico: Leandro Machado.
Gols: Hyantoni (2x) (Brasil-Far).
Cartões Amarelos: Fabiano Eller e Leandro Leite (Brasil-Pel); Hyantoni, Marcos Paraná, Everaldo, Rodrigo Vareta, Ademir, Tiago Soller e Eduardinho (Brasil-Far).
Árbitro: Daniel Nobre Bins, auxiliado por Alexandre Kleiniche e José Inácio de Souza .
O post sobre esta partida está (muito) atrasado, mas nem o passar dos dias conseguiu aliviar o gosto amargo da derrota. O Xavante foi derrotado por 2 a 0 pelo União Frederiquense, no último sábado (12), e estreou com o pé esquerdo a segunda fase da série A2.
O Brasil não mostrou um bom futebol. Apesar de um início de jogo equilibrado, depois da metade do primeiro tempo radinhos de pilha já estavam sendo maltratados pelos donos Xavantes que, em casa, ouviam a transmissão da peleia.
Na primeira etapa, os dois lados atacaram. Mas o União Frederiquense levou sempre mais perigo, buscando alçar a bola na área e chutando de longe. Até bicicleta os caras tentaram. Pelo menos Luiz Muller, goleiro rubro-negro, provou que continua sendo um bom arqueiro.
No segundo tempo, as pilhas dos radinhos – que já estavam destroçados – foram jogadas ao fogo! Porque foi depois do intervalo que a vitória do União apareceu. Méritos totais ao time da casa. O time visitante não jogava bem, mas o que tinham haver com isso? Nada! SIMBORA conquistar três pontos. Natural.
Logo aos 12 minutos, o primeiro gol. Ganzer cobrou uma falta – de muito longe – e a pelota foi desviada pela zaga (“artilheira”) Xavante, enganando Luiz Muller. O segundo tento foi questão de tempo – rá, modo rapper ativado. Aliás, nem foi tanto tempo assim, mas cerca de dois minutos, ou menos. Aos 14, Adilson cobrou falta à área e Rinaldi cabeceou, ampliando o marcador. O caixão já estava fechado quase trinta minutos antes de terminar o jogo.
O Brasil, desesperado e vendo que a coisa estava bem feia, foi para cima. Conseguiu uma bola na trave, com Leandro Leite, mas só. Ytalo, do União Frederiquense, também acertou a trave. Nem na competição de quem acerta mais o poste o Brasil venceu. Tarde lamentável.
Com a derrota, o Xavante amarga – por pouco tempo, espero – a lanterna da chave 3, sem nenhum ponto ganho. Lembrando que apenas dois times de cada chave passam à fase seguinte. A próxima batalha será no domingo (20), no estádio Bento Freitas, às 15h30min. O adversário será o xará Brasil-Far. Oremos.
FICHA:
União Frederiquense: Gilberto; Tiago Matos, Géson, Vinícius e Ganzer; Marquinhos, Douglas Rinaldi, Ítalo e Adílson; Douglas e Gilian. Técnico: Rodrigo Bandeira.
Brasil: Luiz Muller; Éder Silva, Uillian Nicoletti, André Ribeiro e Galego; Leandro Leite, Rodrigo Dias (Marquinhos), Leandro Ezquerra (Pierre) e Alex Goiano; Alex Amado (Alexandre) e Gavião. Técnico: Marcelo Rospide.
Gols: Ganzer e Rinaldi.
Cartões Amarelos: Rinaldi e Ytalo (União); Leandro Ezquerra (Brasil).
Arbitragem: Luís Teixeira Rocha, auxiliado por Paulo Ricardo Conceição e Charles Lorenzetti.
Eu já me preparava para relatar com frio e sofreguidão os embates de sábado pela Divisão de Acesso. No tempo correto, no ritmo da crônica. Obviamente não completei a tarefa, sendo arrastado para o almoço da madre, no dia seguinte. Lugar onde quase todos da família estavam. E reunião familiar é uma torre de babel, só que no volume máximo. Entre a carne salgada sobre os tijolos, a cevada maltada e alguma água gaseificada surge o bolo caseiro, cuja base sustentava a maior quantidade de nata reunida possível fora da fábrica. Fim de festa. A volta pra casa teve trânsito pesado e que, pensava eu, devia ser o prenúncio do COSTELÃO / 16HORAS / ESPETOFINAL, mas era apenas uma operação policial sentido zona sul-centro. Parece que nem todo mundo estava a caminho do Estádio Beira-Rio. E foi assim: no coletivo atualizando o @todacancha freneticamente.
O fim da história
Em meados de 1990, Fukuyama* – que nunca formou a linha da seleção nipônica – decretou o fim da história. Os rescaldos da queda do muro de Berlin e o processo de unificação alemã, a fragmentação do bloco socialista no leste europeu e o avanço do capitalismo, alicerçaram sua tese que apregoava o liberalismo econômico como melhor alternativa. Estava dada a largada para o último estágio do avanço da economia mundial. No entanto, de acordo com o filósofo e economista, inicialmente esse mar de promessas não se constituiria maior que um oásis de propriedade dos países industrializados. Para os demais, diga-se de passagem, a maioria, estava reservado uma vasta terra pobre e árida, com regimes políticos não democráticos e dependência econômica. Assim deveria se acabar a história. É assim que a história acaba?
O fim do campeonato
Clareou a segunda-feira. O Gauchão 2012 foi pelos ares no domingo e o primeiro dia útil trazia um insistente gosto de guarda-chuva. Se isso fosse tudo, a província prosseguiria sua existência de dissabores, festejos e flautas. No entanto, desde antes da cerração se formar era decretado que o Gauchão que acabara, para o bem de “todos”, deveria ser o último. Não haveria mais espaço para esse gordo de clubes que perambulou sem destino durante quase cinco meses. Esse obeso inconveniente, para alguns, há tempos já não cabe no discurso de planejamento da dupla e resiste com suas fanfarronices televisionadas nas tardes de domingo. E quando eu falo em “discurso de planejamento” eu quero dizer: DISCURSO DE PLANEJAMENTO.
Mas o DP não anda sozinho pelo vale dos microfones. A proposta do futebol científico é absolutamente frágil. A medicina esportiva altamente competente não nos levará a UM FUTEBOL CIENTÍFICO. Essa não é uma premissa verdadeira. Da mesma forma que jogador de futebol é profissional, mas, aqui, é mais que isso. Falamos de um lugar onde o futebol é maior que um espetáculo televisivo. É assim que se acaba com um campeonato?
O dia depois de amanhã
É necessário repensar. Os simpáticos velhinhos contadores de histórias liberais perderam espaço. Hoje seus netos dormem sob o efeito de diazepam. A fábula do liberalismo econômico, definitivamente, não salvou nem a pequena parcela do mundo que se propunha. Nosso certame estadual também precisa de ajustes. Entretanto, a mudança precisa ser mais séria que a diminuição no número de participantes. E mais, o caminho talvez seja outro. A solução envolve um debate complexo que tenha em conta um diagnóstico sobre a situação dos clubes do interior, passando pela renegociação dos contratos de transmissão e refletindo sobre os prós e contras da regionalização do futebol gaúcho. O Toda Cancha deu o pontapé inicial para esse debate, Veja aqui.
É imperativo que o futebol atual apresenta estruturas que extrapolam caracteres de outrora, tornando uma visão que não leve isso em consideração romântica. Por outro lado, o jogo de bola não pode ser apenas um dos componentes de emotivas peças publicitárias. Se o futebol só pode existir como mega evento esportivo, em breve, o jogo onde o imprevisível transborda tornar-se-á inviável.
No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho
Balejos
*FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.